Estreou nesta sexta o filme Distrito 9. Farei uma crítica sobre ele na segunda, pois vou assisti-lo neste final de semana.
Mas o que quero discutir aqui hoje é a abrangência do tema escolhido pelo diretor Neill Blomkamp, sul-africano que decidiu filmar seu filme justamente em sua terra natal, tão marcada por conflitos raciais e pelo famigerado Apartheid.
Mesmo sem ainda ter assistido o filme, já deu para perceber que ele é diferente de todos os outros filmes de extraterrestres já lançados. E cabe aqui uma pequena retrospectiva:
Um dos primeiros filmes com essa temática foi Guerra dos Mundos, baseado no livro homônimo de 1898, escrito por H.G.Wells. a primeira versão foi lançada em 1953 e mostrava a terra sendo invadida por alienígenas maus que queriam roubar os recursos naturais de nosso planeta.
Depois veio Plano 9 do Espaço Sideral, lançado em 1959 pelo diretor (?) Ed Wood. O filme mostrava uma invasão de alienígenas vampiros (!) que gostavam de sangue de mocinhas. Mais trash impossível.
Bom, aí vieram Contatos imediatos de terceiro grau (1977), Invasores de Corpos (1878), Alien, o oitavo passageiro (1979), E.T. o Extraterrestre (1982), Cocoon (1985), Inimigo meu (1985), Predador (1987), Fogo no céu (1993), Independence Day (1996), Sinais (2002), O dia em que a terra parou (1951 e 2008) e bom, a lista é imensa, não dá para colocar todos os filmes deste gênero, que é um dos meus preferidos.
O fato é que praticamente todos os filmes de extraterrestres os mostram como uma ameaça à humanidade. Isso é perfeitamente possível de entender, entretanto. O homem sempre temeu aquilo que não conhece e com os ets não ia ser diferente. Quando, em 1947, Kenneth Arnold viu aqueles nove discos voadores voando em formação sobre o Monte Rainier estava lançado mais uma nova fobia na já enorme lista de medos humanos. Aqueles ovnis logo foram tidos como naves alienígenas e seus ocupantes só poderiam ser maus, já que tinham tanta tecnologia (!).
Um dos poucos cineastas que conseguiu mostrar o lado bom dos extraterrestres foi Steven Spielberg, que com o clássico Contatos Imediatos de Terceiro Grau (meu preferido), conseguiu mostrar aliens bondosos e delicados que não tinham a intenção de dominar a Terra.
Bom, aí chegamos a Distrito 9. O filme conseguiu o feito de se diferenciar de todos esses filmes que citei e de todos os que me esqueci. É um filme diferente, inovador. Não pela maneira de contar a história, como um pseudo-documentário, estilo já visto antes em Cloverfield e outros filmes menos populares. Não! A diferença está na maneira de ver os alienígenas. Ouso dizer que Distrito 9 fará pelo gênero aquilo que Spielberg fez com Contatos... em 1977.
Os aliens de Distrito 9 são pobres, excluídos, maltratados. Sofrem preconceito, são discriminados por seres diferentes. Moram em um gueto e são levados para uma espécie de campo de concentração. São tratados como animais irracionais apenas por não pertencerem a raça humana ou por serem superiores a esta.
É uma visão original e dramática de como o homem pode ser capaz de segregar aqueles que são diferentes. Ora, ele fez e faz isso com os da mesma espécie, só por causa da cor da pele, da religião ou da opção sexual! Porque não faria então com um ser que se parece com um camarão ( como são chamados, pejorativamente, no filme).
Distrito 9 é, antes de tudo, uma crítica social, um tapa na cara daqueles que se acham superiores só porque, aparentemente, são perfeitos. Ainda não vi o filme, mas já estou torcendo pelos Ets!!!


Nenhum comentário:
Postar um comentário