quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

OS X-MEN NO CINEMA

   
    Recentemente li no Omelete a notícia de que Bryan Singer, diretor dos dois primeiros filmes dos X-Men e da bomba Superman - O Retorno vai dirigir o próximo filme dos mutantes: X-Men: First Class, que vai contar a história do início da equipe e dos membros originais.
   Devo dizer que esta notícia me preocupou. Não que Singer seja um diretor ruim, longe disso. Seu "Os Suspeitos" é ótimo e eu gosto muito também do subestimado "O Aprendiz". Porém, apesar de considerar os filmes que ele dirigiu dos X-Men melhores que a maioria dos filmes baseados em quadrinhos que já foram para o cinema, acho que poderiam ser bem melhores nas mãos de alguém mais apaixonado pelos mutantes, coisa que ele não é.
   Na verdade, Singer só aceitou dirigir X-Men - O filme, depois que os produtores falaram sobre as diferentes visões de mundo de Xavier e Magneto. Singer se interessou pelo conceito, pelo tema do preconceito, ele mesmo já tendo vivido isso na pele, já que é gay assumido. Porém, Singer, apesar de ter criado um visual bem legal e realista para o filme, deixou de lado a ação e, pior, a história dos personagens.
   Vou listar aqui aqueles que considero serem os  piores erros dos filmes dos X-Men dirigidos por Bryan Singer:

1 - A EQUIPE
    Não sei se foi devido ao orçamento reduzido ou se foi escolha pessoal mesmo, mas Singer resolveu fazer o filme com uma equipe bem reduzida. Só Ciclope, Jean e Tempestade eram X-Mens antes da entrada de Wolverine e Vampira. Aliás, os três primeiros foram pessimamente adaptados. Ciclope, de líder que é nos quadrinhos, foi transformado em um retardado que não sabe nem lutar direito; Jean também não sabe usar muito bem seus poderes, além de ser muito frágil; Tempestade, coitada, ganhou uma peruca sofrível e nem de longe lembra a mutante poderosa que é nos quadrinhos. 

2 - AUSÊNCIA DE FERA
   Tudo bem que a equipe original, formada por Ciclope, Jean, Fera, Anjo e Homem de Gelo não é muito interessante, mas deixar de lado justo o Fera? Não dá pra pensar em X-Men sem pensar no Fera. 

3 - AUSÊNCIA DA SALA DE PERIGO
    X-Mens treinando no jardim? Ridículo! A Sala de Perigo, nos quadrinhos, é como se fosse um personagem com vida própria (e era mesmo!!!). Não dava pra deixar de fora.

4 - VAMPIRA OU JUBILEU?
    Coitada da Vampira. Tão forte, tão poderosa e tão injustiçada no cinema. Nos quadrinhos ela era filha adotiva da Mística e foi uma terrível vilã que deu muito trabalho para os X-Men, que demoraram em aceitá-la na equipe. No filme, virou uma adolescente triste e melancólica, partner de Wolverine. 

5 -  DENTES DE SABRE VIROU GATINHO
   Tão ruim quanto o que fizeram com a Vampira foi o que fizeram com o Dentes de Sabre. O arquiimigo do Wolverine foi transformado no guarda-costas mongolóide do Magneto. Nem se quer se lembra do Wolverine e do passado que tiveram juntos. Só sabe mesmo rugir. Até o Groxo é mais interessante.

6 - MORTE DO SENADOR KELLY
   Esse é um dos piores erros. Como puderam matar um personagem tão importante e tão relevante para a mitologia dos X-Men? O Senador Kelly representava o pensamento dos homo sapiens diante da ameaça dos mutantes. Ele daria o pontapé inicial no Projeto Despertar, que construiria as Sentinelas. Mas foi usado como uma simples cobaia numa experiência.

7 - PROTAGONISMO DE WOLVERINE
   Isso já era de se esperar. Sendo o mutante mais famoso, Wolverine acabou sendo o protagonista de todos os filmes dos X-Men. Mas o protagonista, se é que deveria haver um, deveria ter sido o Ciclope, que é o líder. Além disso, Wolverine não se lembrar do Dentes de Sabre? Ridículo.

8 - LADY LETAL
   O segundo filme foi muito melhor que o primeiro e eu até gosto muito dele. A cena do ataque de Noturno ao Presidente é antológica. Mas, embora tenha aumentado a ação, Singer cometeu alguns dos erros do primeiro, como colocar Ciclope em segundo plano e transformar outra arquiinimiga de Wolverine em guarda-costas. Desta vez foi a Lady Letal que foi relegada à categoria de personagem com amnésia da vez.

PONTOS POSITIVOS
   Claro que os filmes de Singer não contém só coisas ruins. Ele, de fato, acertou em muitos pontos e vou listá-los aqui também:

1 - UNIFORMES
   Quando saíram as primeiras imagens dos uniformes dos X-Men na net foi uma choradeira só. Os fãs caíram matando. "Wolverine sem máscara?". Muitas foram as críticas mas a verdade é que Singer acertou em cheio ao criar uniformes mais realistas e úteis. Niguém merece aqueles uniformes coloridos né. No fim, todos gostaram tanto que até nos quadrinhos os X-Men passaram a usar uniformes pretos. 

2 - PROFESSOR XAVIER X MAGNETO
   A relação entre Xavier e Magneto foi muito bem explorada e as cenas em que os dois aparecem juntos são as melhores. Deu pra perceber bem que os dois, apesar de se amarem e respeitarem, sofrem por não compartilharem dos mesmos ideais e por isso são obrigados a serem inimigos. Tocante.

3 - MAGNETO VELHO
   Esse foi outro motivo de controvérsia. Mas, para mim, foi outro grande acerto. Não só pelo fato de Ian MacKellen ser uma magnífico ator, mas principalmente porque um Magneto mais jovem não seria condizente com o fato dele ter sido criança durante a 2ª Guerra Mundial. Aliás, a cena inicial do primeiro filme, com Magneto no campo de concentração, é belíssima. E a cena da fuga da prisão de plástico, no segundo filme, também é antológica.

4 - MÍSTICA E GROXO
   Enquanto Dentes de Sabre foi transformando em um idiota, Mística e Groxo roubaram a cena com seus visuais incríveis e habilidades de luta fenomenais. Mística, principalmente, ficou explêndida e mortífera, embora pudesse ter falado mais. 

5 - NOTURNO E LADY LETAL
   Embora pudessem ter sido bem mais explorados, o visual dos dois ficou muito legal. Os efeitos de teletransporte de Noturno são impressionantes. Já as garras da Lady Letal ficaram muito mais legais que as dos quadrinhos.

6 - FÊNIX
   A idéia de Singer de transformar a Jean na Fênix foi surpreendente e inesperada e eu fico me perguntando o que ele teria feito se tivesse dirigido o 3º filme. Com certeza a Fênix teria muito mais destaque. 

    Pois é, embora os filmes dos X-Men tenham tido muitos acertos, tiveram erros gravíssimos que comprometeram toda a franquia no cinema. Se ele tivesse sido mais fiel à história de cada personagem, com certeza os filmes seriam bem melhores. 
    Resta saber se, depois de Superman - O Retorno, ele aprendeu a lição. Vamos ver o que fará com X-Men: First Class.



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ANALISANDO O BBB10

 

   É isso aí pessoal, demorou mais eu voltei. É que eu tô de férias, preciso descansar um pouco né.
   Já volto falando do BBB10, que acabou de estrear e que promete muitas polêmicas.
   Os intelectuais que me perdoem, mas eu ADORO o Big Brother Brasil. E não só por causa da diversão que ele proporciona. Mas pela experiência em si.
   Na verdade, os que criticam esse programa, os que o acusam de ser banal ou fútil não sabem que o confinamento de pessoas já é usado há muito tempo nos estudos de psicologia e sociologia. Hoje em dia isso não é muito comum, mas antigamente, para estudar o comportamento humano era comum isolar pessoas e analisá-las 24 horas por dia.
   O caso mais famoso desse tipo de experiência ocorreu em 1971. Vamos conhecê-la:

O EXPERIMENTO STANFORD

   Em 1971, o psicólogo social Phillip G. Zimbardo e alguns colegas da Universidade de Stanford decidiram investigar as conseqüências psicológicas da relação entre um prisioneiro e um carcereiro.

   Procuraram participantes entre os alunos, declarando que precisavam de 21 homens que seriam pagos pelo experimento de duas semanas. Todos os candidatos foram entrevistados, mas só foram selecionados os que pareciam razoavelmente estáveis, maduros e responsáveis. Estes foram depois divididos aleatoriamente em dois grupos: de prisioneiros e de carcereiros.
   No primeiro dia, policiais verdadeiros foram à casa de dez dos participantes e os “prenderam sob suspeita” de invasão e assalto à mão armada. Eles foram levados ao corredor do porão da universidade, que fora reformado para parecer uma prisão, e receberam a ordem de se despir, ser despiolhados e colocar o macacão da prisão. Os “carcereiros” designados estavam de uniforme, com óculos de sol espelhados e cassetete.
   Os carcereiros foram chamados a uma reunião e informados para manter os prisioneiros sob vigilância, mas não machucá-los fisicamente. Os prisioneiros ficaram na prisão 24 horas por dia, enquanto os carcereiros foram para casa, para sua vida normal, depois de uma jornada de trabalho de oito horas.
   No começo do que ficou conhecido como o Experimento de Prisão de Stanford, não houve nenhuma diferença de personalidade significativa entre carcereiros e prisioneiros selecionados aleatoriamente. Mais tarde, os dois grupos mudaram de uma forma extraordinariamente rápida.
   O poder absoluto dado aos carcereiros tornou os prisioneiros impotentes e submissos, o que permitiu que os carcereiros ampliassem ainda mais seus poderes. Essa influência mútua foi o começo de um processo perigoso de auto-reforço.
   Um terço dos carcereiros comportou-se com uma insensibilidade cada vez maior e, de forma arbitrária, iniciou punições sem nenhum motivo e elaborou meios inventivos de humilhar os prisioneiros. Em sua vida comum, eles não mostraram tendências a comportamento agressivo ou tirânico.
   Dois dos carcereiros deixaram seu papel de lado para defender os prisioneiros, mas nunca chegaram a enfrentar publicamente os carcereiros hostis. Os demais carcereiros eram durões, mas não davam início a nenhum castigo extra-oficial.
   Os prisioneiros ficaram deprimidos, desesperados a passivos. Três deles tiveram que ser “libertados” depois de apenas quatro dias do experimento porque choravam histericamente, perderam a capacidade de pensar com coerência e ficaram profundamente deprimidos. Um quarto prisioneiro foi liberado depois de contrair uma urticária que cobriu todo o seu corpo.
   Todos os prisioneiros, com exceção de três, estavam dispostos a dispensar o pagamento pelos dias que passaram no experimento se pudessem ser libertados. Quando souberam que seus pedidos de “livramento condicional” tinham sido negados, arrastaram-se de volta às celas passiva e obedientemente.
   O Experimento de Prisão de Stanford demonstrou que prisioneiros e carcereiros agiam de acordo com os papéis que lhes foram dados por um agente externo, mudando aos poucos seus padrões de pensamento, valores e reações emocionais, a fim de se adaptarem. A maioria dos participantes parecia incapaz de fazer uma distinção entre sua identidade real e seu papel no experimento. A brutalidade da prisão aumentava a cada dia. Desapareceram os valores morais comuns, apesar do fato de cada grupo ter sido determinado indiscriminadamente.
   Foi necessário interromper o experimento depois de seis dias, principalmente em razão de os prisioneiros restantes estarem inaceitavelmente próximos de um colapso mental.



   Deu pra percever o que aconteceu nesta experiência? Quando se confina pessoas durante muito tempo em um local onde não tenham acesso a nada vindo do exterior, dando a essas pessoas papéis que devem representar, elas passam a agir de forma diferente, as vezes mostrando o que verdadeiramente são ou as vezes agindo de forma completamente nova e diferente do que é.
   Quando se dá poder a uma pessoa é que se descobre quem ela realmente é. Há pessoas que não possuem maturidade suficiente para ocupar um cargo de liderança e outras não conseguem ocupar um cargo de subalterno. Porém, esses limites psicológicos quase nunca são testados no dia a dia, já que a pessoa sempre tem a opção de fugir daquelas situações que querem testá-la. Isso não acontece no confinamento, pois não há como e nem para onde fugir. A pessoa vai ter que, necessária e obrigatoriamente, enfrentar seus limites, seus medos e assim, expor seus sentimentos mais escondidos, mais íntimos.
   Isso acontece no Big Brother. Lá, independente do critério de escolha dos participantes ou da edição tendenciosa da emissora, as pessoas assumem papéis que as levam a revelar quem são verdadeiramente ou a agir de forma diferente do que agiriam se estivessem aqui fora. Há o Líder, há o Anjo, há os Imunizados e há as Vítimas, ou seja, os que correm risco de ir para o paredão, ou, sacrifício.
   Além disso, há o prêmio. É o objetivo primordial. E é dinheiro, o que torna a experiência muito mais interessante porque já mostra que os confinados são, no mínimo ambiociosos a ponto de se exporem em rede nacional para ganhar dinheiro. Isso já diz muito sobre a personalidade de cada um. E essa ambição rege o comportamente de todos dentro da casa, mesmo daqueles que dizem que não se importam com dinheiro. Há também os que querem aparecer: os vaidosos, orgulhosos, exibicionistas. Quando esses se juntam com os ambiciosos aí a festa psicológica está feita.
   Quem não se lembra do psiquiatra Marcelo do BBB 8? Pô, o cara é PSIQUIATRA!!! E foi o mais desequilibrado do jogo. E o médico Rogério? E a louca da Cida, do BBB 1, que conversava sozinha e via coisas invisíveis na casa? Isso é muito interessante.
   Por tudo isso é que eu assisto sim ao BBB. E acho que quem critica o programa é porque não sabe nada de psicologia, de filosofia e de sociologia. Deviam ler mais, portanto.
   Essa edição está especialmente deliciosa, já que há três gays assumidos no programa e, com certeza, alguns enrrustidos. Só pelo fato da Dimmy Kieer estar lá já vale o tempo na frente da TV. Uma drag no BBB! Quem iria imaginar. O trem vai pegar fogo naquela casa... tomara!