terça-feira, 20 de outubro de 2009

CRÍTICA: DISTRITO 9


     
    Poucas vezes vi um filme sobre extraterrestres tão bom quanto este Distrito 9, do diretor sul africano Neil Blomkamp. Já falei um pouco sobre o tema do filme em outro post, mas aqui farei uma pequena crítica.
    Bom,  vamos à  história: o filme fala sobre um grupo de extraterrestres que se parecem com baratas cuja nave, sabe lá Deus por que, empaca sobre a cidade de Joannesburgo, capital da África do Sul. Alguns meses depois, o governo invade a nave e descobre centenas de extraterrestres passando fome em seu interior. Interessados mais em dominar do que em salvar, os soldados resgatam os aliens e os colocam em um terreno logo abaixo da nave. Este assentamento era para ser provisório mas, vinte anos depois, os aliens ainda estão lá, morando em barracos, se alimentando de lixo e comida de gato e realizando pequenos atos de vandalismo nas redondezas de sua favela, que ficou conhecida como Distrito 9.
   A população humana, claro, não aceita a permanência dos "camarões", como são chamados pejorativamente, ali tão perto e exigem sua retirada imediata. É aí que começa toda a ação do filme. Durante a tentativa de retirar os aliens e levá-los para um campo de concentração, um funcionário da empresa contratada para fazer o serviço é infectado por uma substância que, pouco a pouco, o transforma em um alien.
   O sujeito, que como todos ali, odeiam os aliens, tem então que se unir a um deles para fugir do governo que quer dissecá-lo a fim de descobrir como utilizar as armas alienígenas que não funcionam em mãos humanas.  A partir daí o filme vira meio que um "Inimigo Meu", com duas raças que se odeiam tendo que conviver juntas e se ajudar para alcançarem objetivos diferentes.
   Embora o filme seja muito melhor do que a maioria dos filmes de aliens já lançados, que geralmente mostram os ets como vilões, Distrito 9 deixa um pouco a desejar. Sinceramente achei que o filme seria mais sério, mais dramático, mais emocional. Infelizmente, o diretor desperdiçou um ótimo e inovador argumento colocando cenas de ação desnecessárias, certamente para atrair mais público e fazer mais dinheiro.
   Não que o filme seja ruim, longe disso. Como já disse no começo da crítica, ele é bom como poucos. Ouso até colocá-lo entre os cinco melhores filmes de extraterrestres (na minha opinião, claro): "Contatos Imediatos de Terceiro Grau"; "ET - o Extraterrestre"; "Inimigo Meu"; "Presságio" e agora "Distrito 9". Mas ele poderia ser bem melhor se mantivesse o tom de documentário do começo e se, ao invés de cenas de ação, tivesse dado mais tempo de tela para discussões à respeito da tendência humana e, talvez, de seres intelectualmente superiores, de dominarem os menos inteligentes. Afinal, é disso que o filme trata, da natureza dominadora e predatória dos mais capacitados diante dos mais fracos. A diferença é que, aqui, os mais fracos são os alienígenas.
   Com ótimos efeitos especiais e uma direção de arte magnífica que faz a gente ficar incomodado diante da sujeira dos cenários ou da nojeira das caracterizações, Distrito 9 abre um precedente na história dos filmes de extraterrestres. Depois dele vai ser difícil ver os ets como monstros invasores do espaço.
   O que não deixa de ser justo, afinal, nunca vimos ets fazendo maldades. Agora, humanos... vemos todos os dias...


Somente para humanos!!!

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