terça-feira, 17 de novembro de 2009

CRÍTICA: 2012


    
    Domingo fui assistir ao filme 2012. Para quem gosta de destruição, catástrofes e efeitos especiais o filme é ótimo. Eu mesmo adorei o filme. É absolutamente espetacular e os efeitos especiais são de encher os olhos e dar um nó na cabeça. Roland Emmerich se superou. O problema é o roteiro...
    Embora conte com partes bem emocionantes, o filme comete o erro de usar a mesma história do recente Guerra dos Mundos de Spielberg: a velha e batida história do pai divorciado que tenta reconquistar o carinho e o respeito dos filhos que vivem com a mãe e com o padrasto bem sucedido. Até a antipatia que o filho sente pelo pai é idêntica! Quanta falta de imaginação! Será que não dava para criar uma história melhor não?
    Aliás, o grande problema do filme reside justamente nas partes em que essas pessoas comuns aparecem. Querendo dar algo para que o público pudesse se identificar, o diretor acabou dando ao público algo para rir ou para odiar. As situações pelas quais essa família passa são absurdas. Desde a fuga de Los Angeles numa limousine que mais parece ser a Super Máquina, até a fuga espetacular em um avião de carga que chega a bater na ponta da Torre Eiffel (?), tudo parece absurdo demais, pura marmelada. Simplesmente não dá para se identificar com pessoas que dirigem tão bem assim!!!
   Na minha opinião, o filme deveria ter deixado de lado essa história familiar para se focar mais nos cientistas, nos homens poderosos e nas suas atitudes. O personagem de Chiwetel Ejiofor (?), um geólogo ético que não aceita o fato das pessoas comuns serem largadas à própria sorte, deveria ter sido muito melhor explorado. A filha do presidente também é uma personagem que tinha muito mais pra dar.
   Quando está focado nestes personagens, o filme trata de temas muito interessantes. Ao mesmo tempo que mostra o presidente americano (negro) como um herói que não abandona seu país, o diretor mostra o secretário de segurança dos EUA como um homem cruel que não mede esforços para se salvar, embora use a desculpa de estar salvando a humanidade. É muito interessante a cena em que todos os outros líderes mundiais (só do G8) aceitam voltar e salvar mais pessoas e o líder dos EUA se mostra irredutível em sua decisão de deixá-las morrer.
   Ao mesmo tempo, o filme gera a inevitável pergunta: "Se o mundo acabasse amanhã, que se salvaria?". Infelizmente, acredito que o filme está certo ao responder esta pergunta, mostrando que só os ricos e poderosos têm uma chance de sobreviver. Cabe a eles a perpetuação da espécie, não pelo que são, mas pelo que possuem.
   Mas o diretor, no final do filme, não deixa de contar uma última piada para a platéia: o único continente que restou no mundo foi justamente o mais pobre: a África!
   É, os poderosos vão ter que conviver com os africanos... isto daria uma ótima continuação!

P.S.: A destruição do Cristo Redentor é rápida e sem emoção. Já a do Vaticano é linda e emocionante! 


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